O Jejum que não agrada a Deus

28/04/2026

Muito embora as escrituras sagradas não apresentem uma definição clara sobre a obrigatoriedade ou não do Jejum, uma coisa é certa e não se pode negar, essa prática milenar sempre fez parte do contexto histórico, sociocultural e religioso de Israel, tanto no Antigo quanto no Novo testamento. E as razões para tal prática eram diversas e na maioria das vezes em que o povo de Israel ou algum personagem bíblico é citado exercendo o Jejum o resultado que se tem é positivo e de êxito diante de Deus. E isso se dava por razões óbvias, o Jejum além de agradar a Deus, tinha por objetivo maior afligir a alma, Levítico 16.29 e Números 29.7, e subjugar os anseios e desejos da carne e aproximando o povo ainda mais do Senhor. Em certa medida, o Jejum era marcado também como uma fonte de fortalecimento e poder espiritual para tempos difíceis que constantemente sobrevinham contra a nação. Não por acaso, grandes vultos do Antigo Testamento como Moisés e Elias e até mesmo o próprio Cristo utilizou-se desta tão importante arma espiritual, o que faz dela essencial e salutar na vida de todo e qualquer cristão.

Mas será que todo tipo de Jejum agrada a Deus? Será que Deus aceita todo e qualquer tipo de Jejum? A resposta para esta pergunta está ligada a palavra motivação, ou seja, deve haver uma sinergia, uma simbiose entre a prática do Jejum e a motivação pela qual se deve jejuar, sendo necessária que ambas sejam intrínsecas uma à outra, do contrário, todo esforço humano em agradar a Deus por meio de tal prática será em vão. E a bíblia é farta de exemplos em que a prática, embora correta, não necessariamente estava conectada à motivação, ou seja, a forma estava correta mais os motivos eram no mínimo equivocados. Como na ocasião em que Saul obrigou os seus soldados a Jejuarem às vésperas de uma batalha contra os filisteus, deixando os seus soldados exaustos e famintos, comprometendo a eficácia da batalha, 1 Samuel 14, ou como o "Jejum de Jezabel", 1 Reis 21, um Jejum falso e manipulador cujo motivo era assassinar e confiscar a vinha de Nabote. Os Israelitas nos dias do profeta Isaías questionaram o fato de Deus não se importar com os jejuns que eles faziam, e a resposta de Deus à eles foi direta e objetiva: Vocês estão fazendo a coisa certa, porém da maneira (motivo) errada. Pois no dia em que jejuavam eles cuidavam dos seus próprios interesses e oprimiam os seus trabalhadores, além de brigar, discutir e bater uns nos outros. (Isaías 58. 1 a 14), um tipo de Jejum bem parecido com este era o que os fariseus praticavam e que foi duramente criticado por Jesus no exercício do seu ministério (Mateus 6.16-18).

Sendo assim, o meu conselho, é que não divorciemos a prática do Jejum da motivação pela qual se deve jejuar, pelo contrário, observemos prudentemente se as nossas motivações ao jejuar estão igualmente alinhadas aos propósitos daquele que nos conclama solenemente a afligir a nossa alma por intermédio da prática do Jejum.

Pastor Wendel Alves Severino

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